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Friday, 22 January 2021

Alecrim (Salvia Rosmarinus)

O Alecrim, Salvia Rosmarinus desde 2017 ou mais conhecido por Rosmarinus officinalis, é uma erva aromática comum na região do Mediterrâneo. Devido ao seu aroma característico, os romanos designavam-no como Ros Marinus, que em latim significa "orvalho do mar".

Como qualquer outro nome vernáculo, o alecrim é por vezes confundido com outras espécies, nomeadamente o rosmaninho (Lavandula stoechas) termo usado sobretudo no centro e sul de Portugal, que corresponde à alfazema, noutras regiões. Mas é o alecrim que tem precisamente o étimo rosmarinus, sendo que se tratam de espécies distintas.


A primeira menção ao alecrim é encontrada em tábuas de pedra cuneiformes em 5000 AC. Depois disso, não se sabe muito, exceto que os egípcios o usaram nos seus rituais de enterro. Não há mais menção ao alecrim até que os antigos gregos e romanos o incluíram em alguns dos livros de ervas mais influentes da história. Depois disso, chegou às Américas com os primeiros colonizadores europeus no início do século XVII e logo se espalhou para a América do Sul e distribuição global.


Existem várias lendas sobre esta planta notável, uma dessas histórias conta que, durante a fuga para o Egito, a Virgem Maria lavou o seu manto azul e pendurou-o num arbusto de alecrim para secar, então o arbusto mudou suas flores brancas para azuis em sua homenagem. 


É comum dizer que floresce em lares onde a mulher é dominante e não nos jardins dos ímpios.

Em casamentos, costuma-se oferecer ramos de alecrim aos recém-casados para lhes dar sorte por ser símbolo de amor, lealdade e fidelidade. É ainda símbolo de lembrança pelas suas propriedades que melhoram a memória, a mais crucial das funções neurais. Durante o período medieval, os moradores locais colocaram galhos de alecrim no chão para combater doenças como a “peste negra”. É símbolo de lembrança, amor, lealdade, fidelidade, como escreveu Shakespeare:

“There’s rosemary, that’s for remembrance; pray you, love, remember . . . ” in Hamlet.



Descrição

O Alecrim é um arbusto perene com altura média de 1,2m, muito ramificado, sempre verde, com hastes lenhosas, folhas pequenas e finas, opostas, lanceoladas. A parte inferior das folhas é de cor verde-acinzentada, enquanto a superior é verde brilhante. As flores reúnem-se em espiguilhas terminais e são de cor azul ou esbranquiçada. O fruto é um aquênio. Floresce quase todo o ano e não necessita de cuidados especiais nos jardins. Toda a planta exala um aroma forte e agradável. 


Cultivo

É considerada fácil de cultivar para jardineiros principiantes, tendo uma boa tolerância a pragas e seca. Deve receber luz solar direta por algumas horas diariamente. O solo deve ser bem drenado e leve, preferencialmente calcário. Habita em matos secos e bosques esclerófilos, em rochedos costeiros e dunas fixas.


Pode ser propagado a partir de uma planta já existente, através do corte de um ramo novo com cerca de 10–15 cm, retirando algumas folhas da base e plantando directamente no solo. Deve ser plantado, preferencialmente, na primavera ou no verão o ideal é por meio de mudas, mas pode ser plantado através de sementes neste caso a planta demora bastante tempo para se desenvolver, deve se irrigar a planta levemente apenas quando o solo estiver seco a mais de 2 cm de profundidade. O alecrim é facilmente podado em diferentes formas e pode viver até aos 30 anos. Ajuda a afastar traças do repolho, besouros do feijão e moscas da cenoura.


A sua flor é muito apreciada pelas abelhas produzindo assim um mel de extrema qualidade. Há quem plante alecrim perto de apiários, para influenciar o sabor do mel. Floresce um pouco todo o ano, mas sobretudo de Janeiro a Maio. 



Nutrição

O Alecrim é rico em ferro, cálcio, magnésio e potássio, Vitamina C, vitamina B6, Vitamina A e fibras. Como se vê abaixo, 100 g de produto seria capaz de exceder em muito a dose diária recomendada: 

Calorias: 335 kcal; Carboidratos: 64,06 g dos quais 42,6 g de fibras; Gordura: 15,22 g; Proteína: 4,88 g; Micronutrientes: Retinol: 156 μg; Tiamina: 0,514 mg; Riboflavina: 0,428 mg; Niacina: 1,00 mg; Vitamina B6: 1,740 mg; Vitamina C: 61,2 mg; Cálcio: 1280 mg; Ferro: 29,25 mg; Magnésio: 220 mg; Fósforo: 70 mg; Potássio: 955 mg; Sódio: 50 mg; Zinco: 3,23 mg.


É analgésico, antidepressivo, adstringente, carminativo, digestivo, diurético, hepático, hipertensivo, calmante, sudorífico, desinfectante, emenagogo e aromático. Auxilia nas dores de cabeça, infecções intestinais e diarreias. No sistema respiratório é eficaz contra a asma, sinusite e tosse convulsa. É ainda relaxante muscular, ativador da memória e fortalece os músculos do coração.


Utilização

É uma erva multifacetada e utilizada para fins culinários, medicinais, cosméticos e religiosos.

Para fins religiosos, em templos e igrejas, o alecrim é queimado como incenso desde a antiguidade. Na Igreja Ortodoxa grega, o seu óleo é utilizado até aos nossos dias, para unção. Nos cultos de religiões afro, como umbanda e candomblé, é utilizado em banhos e como incenso.


Na culinária, fresco (preferencialmente) ou seco, é apreciado na preparação de aves, caça, carne de porco, salsichas, linguiças e batatas assadas. Na Itália é utilizado em assados de carneiro, cabrito e vitela. Em churrascos, recomenda-se espalhar um bom punhado sobre as brasas do carvão aceso, perfumando a carne e difundindo um agradável odor no ambiente. Pode ser utilizado ainda em sopas e molhos. O alecrim é também usado em pães e tortas salgadas. A focaccia, por exemplo, é um pão tradicional italiano que é coberto com alecrim e azeite.


Na medicina popular, o alecrim é recomendado como um estimulante às pessoas atacadas de debilidade sendo empregado também para combater as febres intermitentes e a febre tifóide, problemas com enxaqueca, distonia vegetativa vascular, aterosclerose, doenças do aparelho urinário, doenças do fígado e da vesícula biliar, efeitos colaterais de AVC, peristaltismo alterado…


O alecrim é considerado um imunoestimulante já há muito tempo. Já há séculos que antepassados utilizavam o alecrim, como diziam, “para fortalecer o corpo e a mente”. E hoje em dia, com um declínio de qualidade de vida praticamente trazendo de volta problemas de saúde antes erradicados, esse efeito preventivo do alecrim é certamente muito bem vindo. Outro uso antigo feito por antepassados para o alecrim, como diziam, “era para lhes desenvolver inteligência”. E as pesquisas científicas têm atestado que, de fato, o alecrim estimula nosso cérebro, ativando a circulação e memorando assim a funções cognitivas e a memória. Estudos mostram que o alecrim pode estimular a memória, concentração e raciocínio. Ainda são necessárias mais pesquisas para identificar o mecanismo de atuação, mas alguns cientistas dizem que ramos de alecrim deveriam ser pendurados em oficinas e áreas onde crianças fazem tarefas escolares para um melhor funcionamento da memória. Pesquisas apontam ainda, que o alecrim possui ácido carnósico, substância que ajuda o organismo a evitar e reverter danos no cérebro, melhorando o sistema neurológico como um todo.



O alecrim é rico em antioxidantes, possui atividade anti inflamatória e neutraliza os radicais livres, evitando danos para o corpo. Em suma, pode ajudar a evitar o envelhecimento precoce da pele e o crescimento de células cancerígenas. Os óleos extraídos das folhas são usados em banhos para melhorar a circulação do sangue e combater o reumatismo, atuando também sobre o sistema nervoso. O alecrim estimula a produção de células vermelhas e melhora o fluxo sanguíneo no corpo, e dessa forma ajuda a levar oxigênio a todas as células do corpo. Possui ainda grande quantidade de hesperidina, um bioflavonóide com efeitos antinociceptivos comprovados contra gota. 


O alecrim pode melhorar o sistema digestivo como um todo, principalmente a evitar azia, gases, constipação, diarréia e falta de apetite. Além disso, pode melhorar a digestão pois na sua composição possui nutrientes com ação diurética, no qual minimiza a retenção de líquidos e estimula a desintoxicação do corpo, facilitando a sua realização pelo fígado e rins. Nesse processo é eliminado patógenos, sais, toxinas e excesso de gordura, mas para que isso ocorra é necessário um consumo adequado de água. Pesquisas apontam ainda que o alecrim tem propriedades antibacterianas, importante fator contra infecções bacterianas no estômago, que podem levar a úlceras.


Além disso o alecrim tem ação expectorante, sendo um excelente aliado contra gripes e tosses, Também pessoas que sofram de amigdalite, asma, bronquite, laringite, pneumonia e outras infecções ou problemas nas vias respiratórias podem recorrer ao Alecrim para seu alívio.


Outra propriedade do alecrim é ser analgésico, podendo ser utilizado em óleo ou pasta para dores externas. Já para as dores internas, como a dor de cabeça, é indicado o consumo em forma de tempero ou chá.


Por possuir atividade antibacteriana e um agradável cheiro, pode auxiliar no hálito, podendo para tal fazer gargarejo com água quente e algumas folhas de alecrim. Como também é analgésico, pode ajudar com a dor de dentes.


É ainda bastante usado na produção da água-de-colônia, pois contém tanino, óleo essencial, pineno, cânfora e outros princípios ativos que lhe conferem propriedades excitantes, tônicas e estimulantes.  A sua essência possui propriedades fungicidas e bactericidas, sendo também utilizada em perfumaria e útil para tratar problemas de cabelo, rivalizando e impedindo a queda. 


O alecrim é usado também na aromaterapia para reduzir o stress e a ansiedade juntamente com o óleo de lavanda, pois ele ajuda a reduzir a pressão arterial e a controlar os batimentos cardíacos, ajudando a trazer uma sensação de tranquilidade. É usado ainda como purificador do ar, da água e repelente de insectos


Moído em combinação com Tussilago farfara [unha de cavalo] é usado como substituto do tabaco.



Contra Indicações

O consumo excessivo do alecrim, especialmente na forma de óleo concentrado, pode trazer problemas como náuseas, vômitos, irritação nos rins, sangramento no útero, vermelhidão na pele, aumento da sensibilidade ao sol e reações alérgicas. Além disso, o seu uso como medicamento é contraindicado para mulheres grávidas e que estejam amamentando, para pessoas com histórico de convulsões e com dificuldades para coagular o sangue ou que usem medicamentos como aspirina. No caso de pessoas com epilepsia, o alecrim deve ser usado com precaução, pois alguns estudos indicam que o óleo essencial, que também está presente no chá, pode desencadear crises epiléticas. A maioria dos médicos recomenda fortemente não dar alecrim para o tratamento e nutrição das crianças, pelo menos até os 5 anos. Pessoas com um distúrbio do ritmo cardíaco devem prestar atenção ao uso deste remédio medicinal pois tem a capacidade de aumentar significativamente a contração do músculo cardíaco, o que pode ser extremamente perigoso. Como tudo, o Alecrim deve ser usado na dosagem adequada para cada caso. Isso porque, do mesmo modo que pode beneficiar, com uma dosagem inadequada pode inverter o efeito negativamente. Por exemplo, seu uso em hipotensão é vantajoso, mas o excesso pode desenvolver pressão alta muito rapidamente.



Receitas

Foccacia de Alecrim e Cebola

  • 500 g de farinha de trigo

  • 200 ml de leite morno

  • 1 colher (sopa) de açúcar

  • 1 colher (chá) de sal

  • 1 colher (sopa) de fermento biológico seco (10 g)

  • 2 ovos médios

  • 1/2 xícara (chá) de azeite sendo 1/4 para massa e 1/4 para regar a foccacia

  • 1 cebola média cortada em rodelas finas

  • alecrim fresco a gosto


Junte o fermento com o leite e deixe descansar por 5 minutos. Numa vasilha, misture a farinha, o açúcar e o sal. Junte o fermento com o leite, os ovos e a metade do azeite na farinha e amasse bem até desgrudar da vasilha. Continue sovando em cima de uma superfície lisa, por uns 2 minutos. Unte um forma grande com azeite e enfarinhe. Abra a massa com as mãos mesmo, deixando irregular. Coloque na forma como se fosse uma pizza, puxando para as laterais da forma, até encostar. Espalhe a cebola e o alecrim por cima e deixe descansar até triplicar de volume (se estiver um dia frio, ligue o forno por uns dois ou três minutos e apague, coloque a foccacia para crescer dentro). Quando estiver triplicado, regue com a outra metade do azeite por cima. Leve ao forno preaquecido e deixe assar por 30 minutos em forno a 200° C.


Ratatouille

  • 2 abobrinhas

  • 2 berinjelas

  • 2 cebolas

  • 3 tomates

  • 1 pimentão verde

  • 1 pimentão amarelo

  • 1 pimentão vermelho

  • azeite a gosto

  • alecrim a gosto

  • manjericão a gosto

  • alho a gosto

  • sal a gosto

  • louro a gosto

  • molho de tomate para cobrir o fundo da forma


Corte os vegetais em rodelas finas sem as sementes. Cubra o fundo de uma forma com o molho de tomate. 

Monte tudo intercalando com os vegetais. Amasse o alho e espalhe por cima acrescentando o sal e o alecrim a gosto. Regue com um pouco de azeite e cubra com papel-manteiga ou alumínio. Leve ao forno por 40 minutos a uma temperatura de 180° C a 200° C.


Farofa de pao simples

  • 1 e 1/2 colher (sopa) de azeite

  • 2 colheres (sopa) de bacon

  • 1 cebola 

  • 1 dente de alho

  • 1 cenoura

  • azeitonas verdes a gosto

  • sal a gosto

  • 4 pães franceses amanhecidos

  • 1/2 colher (chá) de tomilho

  • 1/2 colher (chá) de orégano seco

  • 1/2 colher (chá) de alecrim seco

  • 2 colheres (sopa) de cheiro-verde


Aqueça o azeite e frite o bacon. Adicione a cebola, o alho, a cenoura e as azeitonas. Tempere com sal e mexa bem. Rale 4 pães franceses amanhecidos e adicione à panela. Acrescente os temperos: tomilho, orégano seco, alecrim seco e cheiro-verde.


Óleo de alecrim

Pegue uma planta de alecrim e coloque-a em um recipiente. Em seguida, preencha o recipiente até a borda com azeite. Terá que deixá-lo assim por um mês inteiro e ir agitando. O recipiente deverá ficar  num local escuro e seco. Logo após esse tempo, coe o óleo e está pronto a usar quer para tempero ou massagens.


Chá de Alecrim Para problemas digestivos e inflamação da garganta

Colocar 4 g de folhas numa xícara de água a ferver e deixar repousar por 10 minutos. Depois coar e beber 3 xícaras por dia, após as refeições;


Banho de Alecrim para reumatismo

Colocar 50 g de Alecrim num litro de água, deixar ferver, desligar, tapar, deixar repousar por 30 minutos e coar. Depois utilizar esta água durante o banho.





Fontes:

https://www.tuasaude.com/alecrim/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Alecrim

https://www.cm-mafra.pt/pages/976

https://www.hortaemcasa.info/alecrim/

https://en.wikipedia.org/wiki/Rosemary

https://gulbenkian.pt/jardim/garden-flora/alecrim/

https://www.tudogostoso.com.br/receita/135302-ratatouille.html

https://www.tudogostoso.com.br/receita/301617-farofa-de-pao-simples.html

https://www.tudogostoso.com.br/receita/190493-foccacia-levissima-de-alecrim-e-cebola.html

https://www.mundoboaforma.com.br/10-beneficios-do-alecrim-para-que-serve-e-propriedades/

https://www.mundoecologia.com.br/plantas/curiosidades-do-alecrim-e-fatos-interessantes-sobre-a-planta/

https://www.motherearthnews.com/organic-gardening/growing-rosemary-for-remembrance-zmaz81sozkin










Friday, 8 January 2021

Morugem [Stellaria Media]

Morugem [Stellaria Media] também conhecida como erva-estrela, morugem-branca, morugem-verdadeira, esparguta, erva-pontiaguda, erva dos passarinhos, erva-canária, erva-moleira, olho-de-toupeira, orelha-de-toupeira, morugem vulgar ou merugem. Da família das Cariofiláceas, o seu nome científico – Stellaria media – deve-se ao facto de as suas pequeninas flores brancas se assemelharem a estrelas. Estas flores eram utilizadas para fazer previsões meteorológicas pois em dias de inverno bonitos abrem por volta das nove da manhã e só fecham à noite.

A morugem era conhecida dos antigos gregos, tendo sido recomendada por Dioscórides para tratar problemas de inflamações da visão. Em Inglaterra onde é conhecida por chickweed ou birdweed (erva das galinhas ou dos pássaros), é considerada a planta mais tenrinha, entre todas as plantas silvestres comestíveis. Na Idade Média era muito apreciada e vendida nas ruas de Londres como planta gourmet mas também para tratar crianças desnutridas. É considerada uma erva daninha nos campos de cultivo e jardins da Europa, onde é muito comum, durante todo o ano. Terá tido origem no sul da Europa.


Descrição

É uma planta vivaz que se apresenta na forma de pequenos tufos rastejantes ou ascendentes com nós bem definidos, apresentando uma fiada de pêlos longitudinal que alterna em cada nó, seguindo sempre na mesma direcção em cada entrenó (por vezes, mas raramente, apresentam-se glabros, ou lisos). Folhas glabras (sedosas e sem pelos), inteiras e opostas. Flores em forma de estrela, pequenas, solitárias ou geminadas, formam corimbos que se bifurcam na extremidade dos caules floríferos. As pétalas e as sépalas (cinco cada) têm, grosso modo, o mesmo tamanho. As sépalas têm bordos membranosos e uma forma entre o ovado e o lanceolado. Cada pétala parece, à primeira vista, duas, já que são bipartidas, parecendo duas asas brancas de insecto. Por vezes não apresentam pétalas. Cada flor tem exactamente 10 estames. Os frutos têm a forma de cápsulas (entre o ovóide e o oblongo) que ficam pendentes.




Cultivo

Planta anual, rasteira (10 a 40 cm de altura),  pode florescer todo o ano mas sobretudo entre dezembro e abril. Prefere solos húmidos, mas adapta-se a qualquer tipo de solo, cresce na beira dos caminhos, pradarias, terrenos incultos, jardins, entre outros locais. A sua presença indica que o solo é fértil e rico em Azoto.Também ajuda a reter o Nitrogénio. 


As sementes ficam numa cápsula espinhosa e são levadas pelo vento, abrindo quando maduras. Cada planta produz cerca de quinze mil sementes. Depois de caírem na terra, as sementes da Morugem podem aguentar-se mais de quarenta anos sem perder as suas capacidades de germinação em qualquer altura do ano, mesmo durante o inverno.


Nutrição

Rica em saponinas, mucilagens, sais minerais, como cobre e ferro, cálcio, fósforo, magnésio e zinco e vitaminas A e C.



Utilização

Aparentemente insignificante, a Morugem é uma planta com grande valor nutritivo e nível de proteção, com propriedades que minimizam diversas maleitas. De eficácia comprovada, é possível ser encontrada um pouco por toda a parte e pode consumir-se interna ou externamente, em forma de tintura (extrato alcoólico), compressas, vinagres, sopas ou saladas.


No aparelho digestivo, alivia a flatulência, é uma planta de fácil digestão, regula o intestino e pode ser usada como laxativo ou contra a prisão de ventre, colite, acidez, gastrite ou síndrome do cólon irritável. Controla o excesso de calor no fígado e na vesícula.


Sobre o aparelho respiratório tem uma ação calmante e suavizante, expetorante. Pode ser utilizada em casos de asma, tosse, laringite, bronquite e também reduz a febre e a sede. No aparelho urinário, atua como diurético ajuda na eliminação das toxinas, melhora o funcionamento dos rins, limpa a pele, alivia dores artríticas e problemas de obesidade.


Externamente, utiliza-se no tratamento de inflamações da visão e da pele devido à sua ação refrescante e anti-inflamatória Muito útil em lavagens ou compressas em casos de picadas de insetos, queimaduras solares ou outras como, inchaços, furúnculos, eczema e dores reumáticas.


Na culinária é um recurso silvestre altamente nutritivo, que pode ser usado em sopas alternando com urtigas, labaças, acelgas, espinafres, entre outras. Em saladas ou pesto, em substituição do manjericão.


Precauções

Doses excessivas podem causar diarreia e vómitos. Evite durante a gravidez  e o aleitamento.


Receitas

Receita de vinagre de morugem para lavar o rosto ou usar na água do banho

2 chávenas de morugem fresca 

3 chávenas de vinagre.


Triture com a varinha mágica e deixe coar. Este vinagre apresenta uma cor verde-lima que ao fim de alguns dias se transformará numa bonita cor dourada. Guarde no frigorífico e utilize duas a três colheres diluídas em água morna para lavar o rosto – ajuda a restabelecer o pH da sua pele, sobretudo se viver em zonas onde a água é demasiado alcalina.



Ravioli de Morugem

Para a massa:

500g farinha de trigo para massa

250g morrugem

3 ovos

20g azeite

5g sal


Para o recheio:

400g morrugem

300g queijo quark escorrido

200g presunto cozido

50g queijo tipo parmesão ralado

Azeite, sal, pimenta e noz-moscada q.b.


Para o molho:

250g alho-frances

200g leite

100g creme de leite

Manteiga, sal, pimenta e queijo parmesão q.b.


Cozinhar as folhas de morrugem, picar, espremer e processar para obter um purê homogêneo. Misturar os ovos, o sal e o azeite. Misturar aos poucos esse composto na farinha, trabalhando até obter um composto liso. Envolver em filme e repousar na geladeira por 30 minutos.

Colocar as folhas separadas para o recheio, já lavadas, em uma panela com azeite e sal, cozinhando por cinco minutos. Processar com os demais ingredientes. Abrir a massa numa espessura de 3mm e dividir em duas partes iguais. Fazer todo o processo a salvo de qualquer corrente de vento, para evitar o ressecamento da massa. Distribuir o recheio em montinhos a 10cm de distância uns dos outros sobre a primeira folha de massa, dispor sobre eles a folha restante e ajeitar com os dedos de forma que não permaneça ar no interior. Usar um cortador em forma de flor com 6cm de diâmetro.

Fatiar finamente os alhos-poró, salteá-los em um pouco de manteiga, acrescentar sal, pimenta e leite e cozinhar durante 20 minutos. Processar, acrescentar a nata e reduzir.

Cozinhar os tortelli em água fervente salgada por cinco minutos, escorrer e empratar sobre uma porção do molho, acrescentar queijo ralado e servir imediatamente.



Quiche de Morugem

Uma massa de torta de 10 polegadas

3 xícaras de morugem picada

1 xícara cubos de bacon

1/2 xícara de cebola finamente picada

3 ovos grandes

1 1/2 xícaras de creme de leite

1 colher de sopa farinha

1/2 colher de chá de noz-moscada ralada


Preaqueça o forno a 325 graus. Forre um prato de torta de 10 polegadas com crosta e faça uma borda elevada ao redor do aro para evitar que o enchimento transborde durante o cozimento.

Para preparar a morugem, remova todas as folhas, galhos e raízes, reservando apenas as partes mais verdes e mais frondosas. Enxaguar bem em uma peneira e secar com papel toalha. Junte a morugem em uma bola e pique-a com uma faca afiada até reduzir a textura do confete. Meça, depois coloque a morugem em uma tigela grande. Frite o bacon em cubos em uma frigideira até que comece a dourar, depois acrescente a cebola. Cozinhe cerca de 3 minutos ou até a cebola murchar. Usando uma escumadeira, transfira o bacon e as cebolas para a tigela com o morrião. Descarte os pingos da panela. Numa tigela, bata os ovos até a cor de limão e acrescente o creme azedo, a farinha e a noz-moscada. Adicione a mistura de ovos para a morugem, cebola e bacon. Espalhe o recheio uniformemente na casca da torta e bata com firmeza com uma colher. Asse por 45 a 50 minutos ou até que a torta esteja no centro e a parte superior fique dourada.



Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Morugem

http://www.biorede.pt/page.asp?id=2396

https://jb.utad.pt/especie/Stellaria_media

https://www.biodiversity4all.org/taxa/53298-Stellaria-media

https://revistajardins.pt/morugem-planta-combate-obesidade/

https://www.hortasbiologicas.pt/ervas-daninhas-morugem.html

https://www.syngenta.pt/dicotiledoneas-anuais/morugem-branca

https://www.facebook.com/pancmania/posts/1888050721444193/

https://www.facebook.com/pancmania/photos/quiche-de-morugem(stellaria-media)-receita:/2026616647587599/










Sunday, 29 November 2020

Chuchu [Sechium edule]

Chuchu [Sechium edule] é uma planta da família Curcubitaceae cujo fruto é uma hortaliça conhecida pelos nomes comuns de chuchu, machucho, caiota (Açores), pimpinela (ilha da Madeira), chayote ou mirliton (Inglês). Existe em abundância na ilha da Madeira, principalmente junto aos cursos de água (ribeiras e nascentes).

O Chuchu é um fruto originário da América Central. Era bastante apreciado pelos Aztecas devido ao seu sabor característico e suave, que permitia ser consumido ao longo de todo o ano.


Descrição

Possui uma grande gama de frutos quanto à forma, tamanho e cor. A casca pode ser lisa ou com espinhos, e conforme a espécie, a cor varia do branco ao verde bem escuro. Podem ser arredondados mas as cultivares mais comuns têm a forma de uma pêra, com 10 a 20 cm de comprimento e cor verde clara.

O chuchuzeiro é uma planta trepadeira cujas ramas podem chegar a atingir 15 m de comprimento






Cultivo

O chuchu cresce melhor em clima quente e úmido, sendo que a temperatura ideal para o cultivo é de 18°C a 27°C. A temperatura mínima para o plantio deve ser de 13°C, pois o chuchuzeiro não suporta baixas temperaturas. O chuchu pode ser cultivado em locais ensolarados, ou em sombra parcial quando jovem, desde que haja uma boa luminosidade. Cultive em solo bem drenado, fértil, rico em matéria orgânica, com pH entre 5,5 e 6,8. Irrigue de forma a manter o solo sempre úmido, sem que fique encharcado. O chuchuzeiro é muito sensível tanto ao excesso quanto a falta de água.


O plantio é feito utilizando-se o fruto inteiro, que brota com facilidade se deixado por duas semanas em local escuro. O plantio é feito quando o broto atingir 10 a 15 cm de altura. Basta deixar o broto sobre a terra ou enterrá-lo parcialmente (enterrar totalmente o fruto aumenta a probabilidade do broto apodrecer). O espaçamento recomendado entre as plantas é de 5 m a 7 m, mas há horticultores que utilizam um espaçamento de apenas 3m ou 4m.


O chuchuzeiro é uma trepadeira herbácea que pode cobrir árvores e grandes muros, com ramas que podem chegar a 15 m de comprimento. Assim é necessário que existam suportes para a planta. Normalmente são utilizados caramanchões ou cercas, mas o chuchuzeiro também pode crescer em muros e paredes em hortas domésticas, desde que estes tenham algo onde as gavinhas do chuchuzeiro possam se prender.


O chuchuzeiro é uma planta perene e pode produzir por sete a dez anos, embora geralmente seja cultivado anualmente ou por 2 ou 3 anos, para manter uma alta produção. Em regiões onde não há inverno frio e não falta água para a planta, o chuchuzeiro pode produzir frutos durante todo o ano.


A presença de insetos polinizadores, principalmente abelhas, é necessária para a polinização das flores e a formação dos frutos.



Nutrição

O chuchu é um fruto de fácil digestão, rico em fibras, pobre em calorias e constitui um óptima fonte de vitaminas como as vitaminas A, C e do complexo B (folato, tiamina, riboflavina e piridoxina), antioxidantes e minerais (potássio, cálcio, ferro, fósforo, magnésio, zinco entre outros).


Utilização

Do chuchu nada é desperdiçado, pode-se consumir as folhas, frutos, sementes, folhas, e raízes da planta, depois de devidamente lavados. 


O chuchu contém bastante água e é considerado diurético. Previne doenças e problemas renais. Por ser rico em minerais como cálcio, magnésio e fósforo, o chuchu ajuda a manter dentes e ossos fortes e saudáveis, prevenindo diversas doenças. As vitaminas do complexo B são estimulantes do metabolismo, ajudam a combater a fadiga e a depressão. Para além disso, contém manganês que converte gorduras e proteínas em energia, sendo um verdadeiro estimulante contra a fadiga. 

Tem boas quantidades de ferro e vitamina B2, cujas deficiências no corpo estão associadas a casos de anemia. Esses nutrientes estimulam a produção de células vermelhas do sangue, aumentando os níveis de hemoglobina. Já a vitamina C, o zinco e o cobre ajudam na absorção de ferro pelo organismo. Contém também zinco e Vitamina C que ajudam a fortalecer o sistema imunológico e a evitar doenças.


Devido a sua quantidade de antioxidantes (flavonóides, polifenólicos, luteolina e apigenina) o chuchu ajuda a combater os radicais livres que causam o envelhecimento precoce das células. Contém folato fólico, vitaminas C, E e zinco, que contribuem para pele e cabelos bonitos e saudáveis. A vitamina C, por exemplo, combate os radicais livres e retarda o processo de envelhecimento da pele e cabelos, o zinco é eficaz no controle da produção da oleosidade da pele, protegendo-a contra a acne, a vitamina E nutre os cabelos e dá firmeza e elasticidade à pele.


Os altos níveis de potássio do chuchu ajudam a equilibrar os efeitos do sódio no organismo, evitando a hipertensão. Tem ainda pouquíssimas calorias e não tem colesterol nem gorduras saturadas. É também fonte de fibras dietéticas que dão a sensação de saciedade. O chuchu é um alimento de baixo índice glicêmico e rico em fibras alimentares, sendo ideal para quem sofre de diabetes. Além disso, as suas fibras retardam o processo de digestão e inibem a absorção de açúcares. Das fibras que controlam o açúcar e o colesterol no sangue, ao potássio que reduz a pressão arterial, o chuchu pode ser considerado um alimento aliado à saúde do coração.


Chuchu contém ácido fólico, uma vitamina importantíssima para o bom desenvolvimento fetal muitas vezes recomendado como suplemento para mulheres gestantes. Portanto, chuchu para as grávidas!


O único efeito colateral ocorre durante o processo de descascamento, quando o chuchu exala um líquido semelhante ao látex que pode causar formigamento em caso de contato com a pele. No entanto, para isso a quantidade precisa ser grande e o efeito é rápido. Deve por isso descascar-se debaixo de água corrente.



Uso Culinário

Os chuchus podem ser usados da mesma forma que uma abóbora pequena. Podem ser cozidos e refogados, transformados em cremes, sopas, soufflés, bolos ou usados em saladas frias.


Podem ser consumidos crús ralados em saladas ou sumos. Podem ainda ser laminados e conservados em pickles ou congelados aos cubos.


Quando os frutos estão maduros, com a parte de baixo se abrindo, são excelentes para a elaboração de suflês, pois são mais consistentes e têm mais fibra. A casca pode ser removida antes ou após o cozimento. Quando os frutos estão bem novos podem ser consumidos com casca e miolo.



Receitas

Conserva de chuchu

Ingredientes:

  • Chuchu

  • Ervas aromáticas a gosto (pimenta-rosa, alho picado finamente, orégano, folhas de hortelã e de louro)

  • Óleo vegetal (de milho ou de semente de girassol)

  • Vinagre e sal


Modo de preparo:

Use um chuchu por pessoa. Descasque-os e corte-os em tiras médias. Coloque-os em uma tijela por duas horas com sal grosso por cima (isso ajuda a retirar o excesso de água do chuchu). Leve-os para ferver em água com um pouquinho de vinagre para que fiquem cozidos AL DENTE (não os deixe moles, controle o ponto de cozimento). Em um vidro esterilizado (fervido em água por alguns minutos) coloque as tiras de chuchu e encha o vidro com óleo, acrescente as ervas de sua preferência e use a conserva como quiser, em brusquetas ou como petisco.


Suflê de chuchu

Ingredientes:

  • 4 chuchus grandes

  • 1 pitada de sal grosso, outra de sal fino e de pimenta-do-reino (opcional)

  • 1 xícara (chá) de leite

  • 2 ovos (gemas e claras separadas)

  • 3 colheres (sopa cheia) de queijo parmesão ralado

  • 1 colher (sopa) de manteiga

  • 1 colher (sopa cheia) de amido de milho


Modo de preparo:

Descasque os chuchus, retire seus miolos e cozinhe-os em água com uma pitada de sal grosso. Retire-os da água e amasse-os bem usando um garfo. Experimente o chuchu e coloque uma pitadinha a mais de sal na massa se achar que o chuchu ficou sem sal mas lembre-se que o queijo também contém sal. A este ponto, se gostar, coloque uma pitada de pimenta-do-reino a gosto. Coloque os outros ingredientes e misture tudo muito bem ao chuchu (pode usar o liquidificador se preferir). Acrescente delicadamente as claras batidas em neve. Coloque a massa em uma forma untada e leve-a ao forno pré-aquecido médio (180°) até gratinar (dourar).


Bife de chuchu à milanesa

Ingredientes

  • 1 chuchu

  • 2 ovos batidos

  • Farinha de trigo a gosto

  • Sal e curry a gosto


Modo de preparo:

Corte o chuchu na vertical em lâminas, como se fossem pedaços de carne. Embrulhe os filetes em papel toalha e deixe descansar por 10 minutos. Em uma tigela, misture a farinha com sal e curry a gosto. Molhe as lâminas de chuchu na mistura, depois no ovo batido e, por fim, novamente na farinha. Frite em óleo quente e sirva.


Caldo verde de chuchu

Ingredientes

  • 1 chuchu descascado e picado

  • 2 folhas de couve fatiadas bem fininhas

  • ½ linguiça calabresa cortada em cubinhos

  • 1 dente de alho picado

  • Sal e pimenta-do-reino a gosto


Modo de preparo:

Aqueça uma panela e doure a linguiça na própria gordura. Acrescente o alho picado e espere dourar. Retire a mistura da panela e reserve. Noutra panela, despeje o chuchu, cubra com água e coloque no fogo. Tempere com sal e pimenta e deixe cozinhar até que a consistência esteja macia. Depois, bata o chuchu com a água no liquidificador, volte para a panela com a linguiça e a couve e deixe ferver por mais 5 minutos. Por fim, é só aproveitar.


Bolo doce de chuchu

Ingredientes

  • 300 g de farinha de trigo

  • 1 colher de chá de fermento em pó

  • 235 g de açúcar

  • 2 ovos

  • Manteiga sem sal

  • 150 g de chuchu cozido

  • Canela, açúcar, sal, noz moscada e cravo em pó a gosto

  • Raspas de 1 laranja

  • Raspas de 1 limão

  • 90g de nozes picadas


Modo de preparo:

Bata a manteiga com o açúcar, adicione os ovos e bata mais cada vez que colocar um deles. Triture o chuchu até obter um purê. Acrescente sal, as especiarias e as raspas das frutas e mexa. Junte o fermento e mexa delicadamente. Despeje 60g das nozes, levemente untadas com um pouco de farinha, e misture. Numa forma de buraco untada com manteiga e farinha, despeje a massa e decore com o resto das nozes picadas. Leve ao forno preaquecido a 180º por 40 minutos.



Fontes:

https://hortas.info/como-plantar-chuchu

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sechium_edule

https://www.vaqueiro.pt/ingredientes/chuchu

https://www.ativosaude.com/alimentacao-saudavel/chuchu-propriedades/

https://www.greenme.com.br/alimentarse/alimentacao/4738-chuchu-beneficios-receitas/