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Monday, 1 March 2021

Tanchagem (Plantago)

A Tanchagem (Plantago) é um género botânico pertencente à família Plantaginaceae. Existem em Portugal três variedades principais de tanchagens, sendo todas elas medicinais: Tanchagem Maior ou Tanchagem Terrestre (Plantago major), Tanchagem Média e Tanchagem Menor de folha mais estreita e pontiaguda do que as outras (Plantago lanceolata). É ainda conhecida por corrijó, língua ou erva de ovelha, calracho, tanchagem das boticas, psílio, e erva pulgueira devido a forma, cor e tamanho das sementes cuja casca se assemelha a pulgas.


Era já conhecida e muito utilizada na antiguidade, Alexandre o Grande, designava-a Governante-dos-caminhos, devido à sua grande abundância nas beiras dos caminhos. O médico e historiador grego Dioscórides atribuía-lhe várias propriedades. Os anglo-saxões utilizavam-na como panaceia para curar inúmeras doenças e era por eles considerada uma das nove plantas sagradas. Na Índia é cultivada em grande escala para recolha das sementes muito utilizadas no tratamento de problemas intestinais. É ainda uma planta sagrada do Candomblé, uma religião afro-brasileira.


É nativa da Europa e acompanhou o explorador europeu ao redor do mundo, sendo possível encontrá-la na América do Norte, Sudoeste Asiático, Norte de África e Índia onde é cultivada.





Descrição

É uma planta herbácea vivaz sem caule ou talos ramificados e com talos florais que alcançam 30-50 cm de altura, tem um rizoma curto central do qual brotam raízes secundárias tênues de cor amarela. As folhas lanceoladas ou ovaladas, compridas e ligeiramente dentadas, estão dispostas numa roseta basal na base do talo, têm 7 nervuras longitudinais que se estreitam e continuam no pecíolo. A inflorescência terminal é uma espiga densa com flores muito pequenas de cor branca, malva ou purpúrea. A espiga é curta durante a floração e logo se alonga. O fruto é um pixídio com 4-16 sementes. Não tem cheiro e possui  sabor ligeiramente amargo.

Cultivo

Esta erva pode ser encontrada um pouco por todo o lado, daí ser considerada uma infestante, tal facto deve-se sobretudo às suas sementes se dispersarem facilmente, sendo muitas vezes transportadas pelos pássaros.Propaga-se com facilidade em lugares húmidos e com sol, como por exemplo: bermas, terrenos abandonados, hortas, jardins, canteiros, vasos e inclusivé meio urbano.

No Minho e Douro Litoral colhe-se a semente no final da Primavera, depois de seca na eira é trilhada e guardada para semear no Outono. Também comercializada por empresas de sementes. Muito usada na alimentação dos coelhos. O solo vai começar a ter mais cálcio com a presença dessas plantinhas por perto.

Nutrição

A tanchagem é composta em grande parte por mucilagem e ácidos gordos entre eles: ácido linoleico, oleico e palmítico. Contém ainda compostos biologicamente ativos tais como polissacarídeos, lipídeos, derivados do ácido caféico, flavonóides, glicosídeos iridóides e terpenóides. Também foram detectados alcalóides, alguns ácidos orgânicos. Para além destes tem como princípios ativos o tanino, a pectina, alguns glicosídeos, vitaminas A, E, K e a aucubina, responsável pela ação antimicrobiana, analgésica e anti-inflamatória da erva. Além disso, a tanchagem contém alantoína, que auxilia na regeneração da pele. As suas folhas são ricas em vitaminas e minerais como o cálcio e potássio. Tanto as folhas como as sementes são ligeiramente adstringentes e anti-inflamatórias.

Tem propriedades desintoxicantes, expectorantes, analgésicas, anti-microbianas, cicatrizantes, antipiréticas, antitússicas, anti-infecciosas, anti-hemorrágicas, anti-inflamatórias, diuréticas, depurativas, sedativas, tônicas, laxantes, adstringentes, hemostáticas, febrífugas, antibióticas, descongestionantes, fluidificantes, antissépticas, supurativas, desinfectantes  e emolientes confirmadas em pesquisas recentes. 




Utilização

A tanchagem tem sido utilizada desde os tempos antigos para tratar uma ampla gama de doenças, incluindo dores e inflamações de garganta, doenças e infecções respiratórias, tosse, aftas, amigdalite, faringite, laringite, gripes e resfriados. Age como bactericida sobre as vias respiratórias, em casos de infecções, destruindo microorganismos e limpando secreções. Sendo utilizada em decocções, xarope ou extrato fluido para tratar o catarro, e a bronquite asmática. Para aftas, abscessos, dor de garganta, dentes, problemas de voz e rouquidão, tabagismo, gengivite e inflamações na região bucal, fazer gargarejos ou bochechos com o chá das folhas, de três a quatro vezes ao dia. Para resfriados, gripes e melhorar a função hepática ou inflamação gastrointestinal, consumir de um a dois copos de chá das folhas ou umas gotas de tinturaria por dia. Para aliviar a febre, aplicar folhas frescas sobre a testa.


Existem ainda estudos que associam a planta ao tratamento de TPM, doenças neurológicas e problemas de visão, podendo-se preparar um colírio para conjuntivite e inflamação das pálpebras. Uma infusão de folhas pode ser utilizada para lavar olhos inflamados ou em compressas ou tampões dentro dos ouvidos para aliviar a dor e combater a inflamação. 



Como ajuda a cicatrizar e coagular o sangue, é amplamente utilizada para curar furúnculos, assim como no tratamento de cortes, feridas, queimaduras e picadas de insetos. Para tal, faça uma compressa de folhas de tanchagem maceradas sobre a área afetada, depois de lavá-la com o chá feito previamente com as folhas da planta. Pode ainda fazer e usar uma pomada que pode ser uma ótima alternativa de medicamento para os primeiros socorros tratando: cortes, picadas de insetos, alergias cutâneas, erupções de pele, urticárias,assaduras de fraldas, dos bebés, etc.


Auxilia também em casos de prisão de ventre, infecção urinária, diarreia, disenteria, cistite, azia, inflamação do útero e intestino, hemorróidas, perdas de urina, problemas do fígado e no tratamento do síndrome de cólon irritável, sendo eficaz ainda em dores renais, de estômago e digestivas, verminoses, úlceras e fístulas, fluxo menstrual abundante, fogachos, icterícia, tuberculose, câncer, estomatite, esplenite, pneumonia, hemofilia, estrangúria, epilepsia, elefantíase, hidropisia, problemas cardíacos e trombose, assim como em casos de retenção da urina, graças ao seu efeito diurético e para extrair excesso de fluído linfático, limpeza sanguínea e acidente vascular cerebral,. O efeito calmante e protector das cascas e sementes beneficia todo o aparelho gastro-intestinal podendo ser utilizado no tratamento de úlceras gástricas e duodenais e problemas digestivos de acidez. O líquido gelatinoso produzido quando o psílio é mergulhado em água tem a capacidade de absorver toxinas no intestino grosso. 


A sílica e os taninos presentes na sua composição são muito úteis no tratamento de varizes aplicado em forma de compressas. Estas podem ser aplicadas também sobre as articulações, aliviando dores reumáticas e ajudando a desinflamar. Pode ainda ser utilizada para tratamento de contusões e entorses. 

É ainda um fortificante dos vasos capilares e ajuda no combate a caspa assim como noutros problemas no couro cabeludo e auxilia em coisas mais específicas como antídoto para envenenamento por cogumelos amanita (α-amanitina), efeito hepatoprotetor contra danos causados pelo CCl4, como antiviral contra vírus da hepatite B ou no combate e neutralização dos efeitos causados por animais peçonhentos ou venenosos, tais como abelhas, escorpiões, aranhas e lagartos venenosos.





As flores da Tanchagem também são comestíveis e tem a particularidade de o seu sabor se assemelhar ao dos cogumelos, para serem utilizadas, devem ser colhidas frescas em floração e usadas num molho ou caldo ou desidratadas para uso a posteriori. Outra dica é colher, secar na sombra e triturar com sal [2 partes de flor para 1 de sal]. As sementes maduras [secas e castanhas] quando em contato com água, libertam uma mucilagem similar a da chia ou da linhaça, aquela gosminha, que inclusive é muito utilizada em receitas sem glúten. Os caules têm aplicação como emolientes, antitussígenos e estimulantes. As raízes são utilizadas para tratamento de diabetes, infecção urinária, úlceras gástricas, feridas, cânceres e em casos de menorragia. Por fim, a planta inteira é aplicada para tratamento de distúrbios hepáticos e estomacais, feridas e queimaduras, infecções na garganta, menorragia, dismenorréia, pressão alta, inflamação, inflamação uterina, dor de urina e de bexiga, infecção pelos vírus das hepatites A, B e C, como expectorante, anti alérgica e colerética e em úlceras da pele causadas por Leishmania.





Para macerar as folhas de tanchagem, utilize um pilão e um almofariz, as palmas das mãos ou para aumentar os princípios curativos da erva, pode optar por mastigar as folhas (que ao se misturem com a saliva, estimulam a libertação destas substâncias tão ambicionadas).


Quando as suas folhas estão  tenras podem ser utilizadas também na culinária e podem ser consumidas em fresco (saladas e wraps) ou quando estão mais velhas podem ser utilizadas cozinhas, em  sopas ou refogados. As folhas novas são mais suaves ao paladar mas, as folhas maduras, mais velhas, são mais ricas em fitoquímicos específicos.


Contra Indicações

Possíveis efeitos colaterais da tanchagem incluem sonolência, cólica intestinal e desidratação. Não é indicado para grávidas, lactantes e pessoas com problemas cardiovasculares. O pólen da tanchagem é um dos causadores da febre dos fenos.



Receitas

Chá de Tanchagem

Coloque de 3 a 4 gramas de folhas de tanchagem em 150 ml de água fervente. Deixe repousar por três minutos. Quando amornar, coe e beba até 3 xícaras por dia.


Pomada de Tanchagem

Lave e seque bem as folhas. Coloque-as num pote, com uma colher de sopa de óleo de coco. Em seguida, ponha o preparado em banho-maria até que o óleo derreta. Quando estiver pronto, retire as folhas e deixe a mistura em temperatura ambiente para solidificar. Se preferir, adicione um pouco de cera de abelha, para conferir cremosidade à pomada. Colha as folhas de tanchagem num dia seco e quente para que as folhas sequem bem depois de lavadas. Isso irá garantir que a pomada dure mais tempo, sem conservantes. Mas, guarde-a na geladeira, sempre.


Tintura de Tanchagem

  • 1 xícara de folhas de tanchagem lavadas e secas do excesso de umidade (picadas)

  • 1 litro de vodka ou conhaque

  • 1 frasco de vidro com tampa apertada


Coloque as folhas em uma jarra e despeje o álcool até cobri-las completamente. Utilize uma vareta de vidro para agitar bem a mistura. Coloque a tampa e coloque o frasco em um lugar escuro, dando-lhe uma boa sacudida a cada poucos dias. Depois de 6-8 semanas, decante o conteúdo em garrafas limpas e armazene em um local escuro.


A tintura de tanchagem em álcool a 100% poderá durar de dois a três anos sem perder sua potência. Este é um potente remédio para infecções diversas e problemas catarrais. Use de 10 a 15 gotas, pingue-as na língua (ou embaixo desta) e mantenha-as na boca, por 30 segundos, antes de engolir. Para uso externo, pingue diretamente sobre o local infectado.


Chips de Tanchagem

  • 30 folhas grandes de qualquer espécie de tansagem 

  • 2 colheres (chá) de azeite

  • 1/4 colher (chá) de sal

  • 1/2 colher (chá) de pimenta

  • 1 colher (sopa) de sementes de sésamo

  • 1  colher (chá) de açúcar 


Pré-aqueça o forno a 150 ºC. Lave as folhas e seque-as com pano limpo e seco. Em seguida, misture as folhas com o tempero numa tigela grande. Espalhe as folhas duma só vez em assadeiras e deixe assar até as folhas ficarem crocantes, mas não queimadas, de 10 a 20 minutos, dependendo do tamanho das folhas.   Tire do forno, espere um pouco e prove. Se ainda não estiverem crocantes, leve ao forno novamente por cerca de um minuto. Quando estiverem completamente frias, guarde as folhas em recipiente que feche hermeticamente. Assim, podem ser conservadas por várias semanas. Sirva como aperitivo ou use como tempero - esfarelando sobre o arroz, por exemplo. 


Risoto de Tanchagem e Cenoura

  • 1 cebola média picada em cubos bem pequenos

  • 1 colher de manteiga

  • 1/2 xícara de arroz de risoto

  • 1/3 xícara de vinho branco seco

  • 2-3 pés de tanchagem

  • 1  ou 2 cenouras em cubos pequenos

  • Lascas de queijo parmesão


Comece aquecendo um caneco com água em uma das bocas do fogão. Se você tiver algumas folhas de alho francês (a parte de cima do bulbo, que geralmente descartamos), ou caldo de legumes caseiro coloque nesta água. Caso não tenha, não se preocupe, a água sózinha é suficiente para fazer o prato. A água precisa estar fervendo para colocarmos no risoto; Noutra panela, refogue a cebola na manteiga em fogo baixo até que o fundo da panela comece a ficar com um agarradinho escuro; Coloque o arroz, deixe torrar por 1 minuto enquanto mexe, e jogue o vinho branco para soltar o fundo da panela; Assim que o vinho secar, coloque as cenouras e comece a colocar sobre o arroz a água que você deixou ferver. Não despeje tudo. Coloque um pouco até o arroz ficar envolto em água, mexa, cozinhe por mais alguns minutos esperando que ela evapore, e em seguida coloque mais um pouquinho. Essa operação vai precisar ser repetida de 3 a 4 vezes até que o risoto fique pronto; Depois de colocar a terceira água, ou quando o arroz estiver mudando de cor de translúcido para branco e quase ficando al dente, coloque as folhas de tansagem; Acerte o sal, desligue o fogo e jogue as lascas de queijo parmesão por cima. É desejável que não se seque muito o risoto, e que ele fique bem molhadinho.



Fontes:

https://flora-on.pt/index.php#/7EaTO

https://www.tuasaude.com/tanchagem/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Plantago_lanceolata

https://www.ecycle.com.br/8774-tanchagem.html

https://acientistaagricola.pt/tanchagem-planta-que-cura/

https://www.saintvinsaint.com.br/en/2018/09/tanchagem/

https://revistajardins.pt/tachagem-planta-amiga-pulmoes/

https://outracozinha.com.br/2018/06/29/risoto-de-tansagem-com-cenoura/

http://www.matosdecomer.com.br/2014/09/flores-com-gosto-de-cogumelo-e-que.html

https://paladar.estadao.com.br/noticias/receita,chips-de-folha-de-tansagem,70002542306

https://www.greenme.com.br/consumir/usos-beneficios/64566-tanchagem-a-melhor-erva-curandeira-do-planeta-veja-todos-os-usos/


Saturday, 13 February 2021

Erva Príncipe (Cymbopogon citratus)

A erva-príncipe, (Cymbopogon citratus) também conhecida por Chá-príncipe, Cidreira, Erva-cidreira ou Capim Santo no Brasil  e em Inglês lemongrass. É uma gramínea da família das Poaceaes, parente de espécies como o Cymbopogon nardus conhecida por citronela ou o Cymbopogon martinii conhecida por Palmarosa com aroma a rosas. Originária da Ásia, mais propriamente do Sul da Índia, onde cresce espontânea mas é utilizada especialmente na culinária tailandesa, indonésia e indiana. Nas Caraíbas, no Brasil e em África, aplica-se mais como planta medicinal onde é também plantada para esse fim.

Descrição

A Erva-Príncipe é uma gramínea perene com rizoma (de touça) que se ramifica e de onde se diferenciam as folhas, formando aglomerações em grandes tufos com aroma a limão intenso. Na membrana das células epidérmicas das folhas acumula-se sílica e, ao longo das nervuras das folhas, encontram-se pelos que se tornam mais ásperos à medida que as folhas secam e nos bordos das folhas os pelos provocam uma sensação de serra e podem mesmo cortar. A cor das folhas é variável em tom verde, podendo apresentar uma aparência acinzentada. As folhas expostas a radiação solar directa podem apresentar tons roxos que indicam a presença de antocianinas. Nas condições ambientais em Portugal, esta espécie não floresce e nos climas tropicais pode chegar a atingir 1,5 de altura. 

Cultivo

A Erva-Príncipe poderá estar em produção de 3 a 5 anos, dependendo da fertilidade do solo, das condições climáticas e das técnicas culturais. As condições ideais para o seu desenvolvimento são clima quente e húmido, não tolerando temperaturas inferiores a 0 °C. Em climas frios poderá ser cultivada em vasos que se colocam em estufa nas épocas de temperatura mais baixa. O solo deverá ser de textura média, profundos e drenados, diminuindo a produção do óleo essencial em condições de compactação e de falta de água no solo.


No nosso clima esta planta não produz sementes, logo a sua propagação faz-se apenas por divisão de tufo/caules, na Primavera ou no Outono. O compasso de plantação poderá ser entrelinhas de 1,0 m e entre plantas na linha de 0,8 m a 1,0 m. 


A colheita pode ser feita em qualquer época do ano, vá cortando as folhas à medida das suas necessidades, no entanto, o momento óptimo de colheita é determinado quando as plantas mostram sinais de envelhecimento, com o ápice das folhas de cor castanho-amarelado. Esta fase de maturação das folhas ocorre 9-11 meses após a plantação e é a fase em que as folhas apresentam o máximo de rendimento em óleo essencial. A partir do segundo ano após a plantação poderão realizar-se 3-4 colheitas por ano. As folhas devem ser colhidas 3 a 4 dedos acima do ponto de inserção no caule, para que este possa rebentar novamente e devem ser manipuladas com cuidado para evitar cortes.





No jardim, a erva-príncipe constitui uma bonita planta ornamental, extremamente aromática e de fácil cultivo, na horta pode ser cultivada perto das couves, pois é benéfica. Não precisa de grande manutenção, é bastante resistente a pragas e doenças e necessita de pouca água embora goste de humidade, não aguenta o excesso de água nem solos mal drenados. Deve ser podada várias vezes ao ano. Nas regiões tropicais esta espécie é ainda utilizada para fins de protecção do solo contra a erosão, assim como as suas folhas são utilizadas como material de cobertura do solo.


Pode ser cultivada como planta decorativa de interior pois dá-se bem em vaso ou floreira mas encontrámos informação contraditória sobre como o fazer, uma fonte diz que as raízes são poucos profundas porém outra diz necessitar de alguma profundidade, devendo usar vasos com cerca de 30 cm de diâmetro e pelo menos 30 cm de profundidade.



Nutrição

Esta erva contém cerca de 70 por cento de óleo essencial citral, que também se encontra na casca do limão e da laranja e que ajuda a sintetizar a vitamina A. Além de ser reconhecidamente sedativo, este óleo é ainda utilizado na perfumaria. Além disso, contém também em menores quantidades, segundo o tipo de planta, geraniol, linalol, nerol e citronelal. 


O óleo essencial, designado por óleo de citronela ou “essência de lemongrass”, tem na sua composição principalmente o citral (65-85%), ß-mirceno, dipenteno, linalol, geraniol, metil.heptenona, citronelol, ésteres dos ácidos valérico e caprílico do linalol e geraniol.  


As folhas têm os seguintes constituintes: óleo essencial, flavonóides, iridóides, taninos, ácidos e ésteres aromáticos e sais minerais. 


Tem propriedades analgésicas, anti-depressivas, anti-bacterianas, calmantes, diuréticas, digestivas, antiespasmódicas, antifúngicas, antisépticas, ansiolíticas, anti-inflamatórias e antimicrobianas.



Utilização

A Erva Príncipe é desde há muito utilizada como planta medicinal e condimentar na medicina Ayurvédica da Índia assim como nas Caraíbas, Brasil e África. No ocidente, o seu óleo é bastante utilizado como aromatizante na indústria alimentar e o óleo na indústria cosmética e farmacêutica. As partes da planta utilizadas são as folhas, o bolbo e o óleo essencial obtido destas. 


Na culinária, é utilizada frequentemente como condimento na culinária tailandesa, os caules frescos são usados como tempero, especialmente com peixe e carne, marisco, gengibre e coco, para aromatizar molhos ou em refogados como o Louro. Das suas folhas frescas ou secas faz-se uma infusão com aroma a limão, com propriedades digestivas e quando servida fria, bastante refrescante. Há quem adverta que deve ser devidamente filtrada para evitar a passagem dos pêlos existentes nas folhas. 


A erva-príncipe é muito utilizada na medicina popular para combater problemas de tosse, asma, dores de cabeça, febre, assim como para aliviar problemas digestivos e acalmar o sistema nervoso. Em forma de compressas, é usada para aliviar dores musculares e reumáticas e também infecções da pele. Combate ainda a  transpiração e o pé-de-atleta.


O seu óleo é também um conhecido biopesticida com um modo de acção não tóxico, pois é um repelente de insectos, é utilizado ainda em perfumes e sabonetes.


Contra indicações

Os componentes citral e citronelal são irritantes da pele, sobretudo se depois de manusearmos a planta ou o óleo essencial nos expusermos ao sol. 



Receitas

Risotto de erva-príncipe com tapenade de lima

[4 🍚 / 🕒20 min / 🔥30 min]


Para o risotto:

  • 4 chalotas

  • 1 dente de alho

  • 3 talos de erva-príncipe

  • 500 g de arroz para risotto

  • 100 ml de vinho branco

  • 2l de caldo de legumes

  • azeite

  • sal

  • pimenta

  • 1 lima

Para a tapenade:

  • 2 limas

  • 100g de azeitonas verdes, descaroçadas

  • 1 colher de sopa de alcaparras

  • alguns talos de coentros

  • 1 dente de alho

  • azeite


Comece pela tapenade, até porque assim que começar a fazer o risotto não poderá pegar em mais nada...

Raspe a casca das limas para o copo de um robot de cozinha e esprema o seu sumo para o mesmo copo. Junte as azeitonas, as alcaparras, o dente de alho e os talos de coentros picados. 

Pique até ficar grosseiramente misturado. Misture o azeite e volte a picar. Junte azeite até ficar com a consistência que preferir. Junte sal e pimenta, se achar necessário. Deite numa tigela e reserve. 


Agora o risotto. Corte as chalotas e pique o dente de alho. Deite ambos numa panela alta, junte um fio de azeite e deixe cozinhar em lume brando, até amolecerem. Bata na erva-príncipe com as costas de uma faca, para que liberte o seu aroma, e junte à panela, misturando bem. Finalmente, deite o arroz, envolva bem no refogado e deixe cozinhar um pouco. Junte o vinho e mexa bem até que o arroz o absorva na totalidade. Junte uma colher de caldo de legumes e mexa constantemente até o arroz absorver o caldo. Nessa altura, junte mais uma colher e repita. Continue assim durante alguns minutos, até o arroz estar al dente. Rectifique os temperos, mexendo sempre, e finalmente deite a tapenade no arroz, mexendo bem.



Caril Verde Tailandes

  • 4 c. de sopa de pasta de caril verde

  • 6 c. de sopa de óleo

  • 800 ml de leite de coco

  • 500 g de peito de frango ou perna de frango

  • 100 g de bambu

  • 20 g de açúcar amarelo

  • 60 ml de molho de peixe

  • 60 g de folhas de manjericão


Pasta de caril verde tailandês

  • 6 malaguetas verdes frescas

  • 4 chalotas picadas

  • 10 dentes de alho

  • 1 c. de chá de galangal picado

  • 1 c. de chá de erva príncipe picada

  • 1 c. de chá de raiz de coentros picada

  • 8 grãos de pimenta branca

  • 1 c. de sopa de sementes de coentro tostadas

  • 1 c. de sopa de sementes de cominho tostadas

  • 1 c. de chá de pasta de camarão

  • manjericão ou espinafre (para dar a cor verde)

  • sal


Para a pasta de caril verde: moa todos os ingredientes até obter uma pasta uniforme. Numa panela adicione o óleo, a pasta de caril verde e cozinhe durante um a dois minutos. Junte 100 ml leite de coco e cozinhe em lume brando. Junte a galinha e o bambu, cozinhe por três minutos e adicione o restante leite de coco. Deixe levantar fervura e cozinhe por mais sete minutos. Tempere com o açúcar, o molho de peixe e chili a gosto. No final adicione o manjericão, misture e retire do lume.


Leite Creme de Erva Príncipe com Mirtilos

  • ½ l de leite

  • 1 pé de erva príncipe cortado grosseiramente

  • 120 g de açúcar

  • 4 gemas

  • 1 c. (sopa) de farinha de trigo

  • açúcar para queimar a gosto

  • mirtilos para servir a gosto


Preparação Tradicional:

Coloque o leite ao lume e assim que esteja a ferver, retire do lume, junte a erva príncipe e tape. Deixe em infusão durante 20 minutos. Enquanto espera, junte o açúcar, as gemas e a farinha de trigo numa batedeira e bata bem. Adicione esta mistura ao leite e leve ao lume até engrossar. Retire, coloque numa taça e deixe arrefecer. Leve ao frigorífico pelo menos 1 hora. Cubra com açúcar e queime. Sirva com mirtilos.


Preparação Thermomix - Bimby:

No copo coloque o leite e programe (5min/90ºC/vel3). Adicione a erva príncipe e programe (2min/90ºC/vel2). Retire o copo da base e deixe arrefecer durante 20 minutos. Passado esse tempo, coe o leite com um passador de rede fina e volte a colocar no copo. Junte os restantes ingredientes, à excepção do açúcar para queimar e dos mirtilos. Programe (9min/90ºC/vel2). Retire, coloque numa taça e deixe arrefecer. Leve ao frigorífico pelo menos 1 hora. Cubra com açúcar e queime. Sirva com mirtilos.


Laksa - sopa Malaia

  • 2 robalos

  • 200 g camarão

  • 200 ml creme de coco

  • 300 ml água quente

  • q.b. azeite

  • 1 colher de sobremesa gengibre em pó

  • 1 colher de sobremesa açafrão

  • 1 colher de sobremesa paprika

  • q.b. cominhos

  • 2 colheres de sobremesa mistura de caril

  • q.b. erva principe fresca

  • 250 g massa de arroz

  • 3 ovos

  • a gosto folhas coentros

  • a gosto folhas de hortelã

  • a gosto cebolinho

  • 1 malagueta vermelha

  • 2 dentes alho

  • 1 cebola

  • 1 pedaço gengibre fresco

  • a gosto sal


Cozer os robalos. Depois de arrefecer, retirar as espinhas e a pele. Reservar. Retirar as cascas dos camarões. Para cozer os camarões, colocar água numa panela e quando estiver a ferver adicionar o camarão e quando voltar a ganhar fervura deixa cozer 3 minutos. Cozer a massa de arroz em água a ferver por 4 minutos. Cozer os ovos. Entretanto fazer o caldo: juntar sal, as espinhas e pele do robalo, as cascas do camarão bem como as cascas da cebola, alho e gengibre, os talos dos coentros e da hortelã com água e deixar apurar, quando levantar fervura, baixar o lume e deixe cozer por 20 minutos, retirando a espuma que possa formar-se à superfície e no final, coar o caldo e reservar. Refogar a cebola e o alho no óleo, até que fiquem alourados. Juntar o gengibre.Juntar sal, as especiarias e a erva principe e cozinhar por alguns minutos, mexendo constantemente. Colocar o creme de coco e a água (ou leite de coco caso não tenha o creme de coco) na panela da cebola, alho, gengibre e das especiarias, juntar o caldo de peixe e marisco e deixar que tudo se envolva. Triturar a sopa com a varinha mágica. Escorrer e colocar em cada prato fundo a massa de arroz cozida e por cima a sopa. Servir com as folhas de coentros e hortelã, o cebolinho picado, a malagueta fatiada, o ovo, o robalo e o camarão.


Panna cotta de coco, limão e coentro

  • 200 ml leite de coco

  • 200 ml natas

  • 200 ml leite de soja

  • 3 folhas gelatina

  • q.b. Erva principe

  • 1 colher de sopa mel

  • 1 ovo

  • 2 gemas

  • Sumo de 2 Limoes+raspas

  • 100 g açúcar

  • 20 g manteiga

  • 1 colher sopa maizena


Numa panela juntar o leite de cocô, natas, leite de soja, mel e a erva principe. Quando começar a ferver retirar a erva principe e juntar as folhas de gelatina préviamente demolhadas e mexer bem. Verter o preparado para um recepiente e deixar esfriar. Para o Curd de limão, num recipiente em banho maria juntar os ovos e o açúcar. Envolver e juntar o resto dos ingredientes. Ir sempre mexendo até ficar um creme espesso. Deixar arrefecer e servir com a panna cotta e umas folhas de Coentros.


Chá gelado de erva-príncipe com laranja

  • 8 g folhas frescas de erva-príncipe

  • 1250 ml água

  • 450 ml sumo de laranja

  • 40 g açúcar amarelo

  • cubos de gelo


Ferva durante três minutos a ervapríncipe na água. Deixe arrefecer e coe. Num jarro, junte o chá, o açúcar e o sumo de laranja. Mexa. Adicione cubos de gelo. Sirva frio.


Bolo de Erva Príncipe e Côco

  • 2 caules de erva-príncipe ( parte branca)

  • 250 gramas de açúcar

  • 4 ovos

  • 100 gramas de margarina Vaqueiro Líquida

  • 100 gramas de côco ralado

  • 125 gramas de farinha

  • 1 colher de chá de fermento



Para a calda:

  • as folhas de 2 ervas príncipe

  • 75 gr. de açúcar

  • 50 ml de água

  • coco ralado q.b.


Método Tradicional:

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Retire as folhas exteriores dos caules da erva príncipe e reserve. Corte os caules da erva-príncipe em rodelas finas e coloque-as no liquidificador. Triture e adicione o açúcar. Triture mais um pouco. Com o liquidificador sempre em funcionamento, adicione os ovos, um de cada vez, bem como a margarina e o côco. Junte a farinha e o fermento e misture, até que os ingredientes fiquem bem ligados. Unte uma forma de aro amovível com manteiga e polvilhe com farinha. Coloque a massa do bolo na forma e leve ao forno por cerca de 35 minutos ou até estar cozido. Faça o teste do palito, antes de retirar do forno. Enquanto o bolo coze, prepare a calda, levando ao lume o açúcar, a água e as folhas reservadas. Deixe ferver cerca de 5 minutos e reserve. Quando desenformar o bolo, e enquanto está quente, faça alguns furos no topo e espalhe a calda por cima. Polvilhe com algum coco ralado.


Método Thermomix-Bimby:

Pré-aqueça o forno a 180ºC. Retire as folhas exteriores dos caules da erva príncipe e reserve. Corte os caules da erva-príncipe em rodelas finas e coloque-as no copo. Programe (10seg/vel9). Adicione o açúcar e programe novamente (10seg/vel9). De seguida programe (2 min/vel 4) e adicione os ovos, um de cada vez, a margarina e o coco. Junte a farinha e o fermento e misture (10seg/vel6). Coloque a massa do bolo na forma e leve ao forno por cerca de 35 minutos ou até estar cozido. Faça o teste do palito, antes de retirar do forno. Enquanto o bolo coze, prepare a calda,colocando no copo lavado, o açúcar, a água e as folhas de erva-príncipe. Programe (5min/Varoma/vel1). Reserve. Quando desenformar o bolo, e enquanto está quente, faça alguns furos no topo e espalhe a calda por cima. Polvilhe com algum coco ralado.




Fontes:

https://www.cm-mafra.pt/pages/990

https://www.noticiasmagazine.pt/2017/61425/

https://revistajardins.pt/como-cultivar-erva-principe/

https://revistajardins.pt/erva-principe-historia-cuidados/

https://cookpad.com/pt/receitas/14415401-laksa-sopa-malaia

https://lifestyle.sapo.pt/saude/saude-e-medicina/artigos/erva-principe

http://sweet-gula.blogspot.com/2016/01/leite-creme-de-erva-principe-com.html

https://cookpad.com/pt/receitas/12776307-panna-cotta-de-coco-limao-e-coentro

https://lifestyle.sapo.pt/sabores/receitas/cha-gelado-de-erva-principe-com-laranja

https://www.aromaticasvivas.com/pt/produtos-ervas-aromaticas-cortadas-erva-principe

http://sweet-gula.blogspot.com/2014/05/world-baking-day-lemongrass-coconut-cake.html

https://pt.petitchef.com/receitas/prato-principal/risotto-de-erva-principe-com-tapenade-de-lima-fid-803898

http://www.agronegocios.eu/noticias/plantas-aromaticas-e-medicinais-com-interesse-para-secagem-produzidas-no-modo-de-producao-biologico-limonete-erva-principe-hiper/